Universal Pictures

25.11.21

Casa Gucci

Casa Gucci || Estreia dia 25 de novembro de 2021 
Crítica por Natasha Soares 

Imagem: Reprodução

Casa Gucci (House of Gucci) é baseado na história real do assassinato de Maurizio Gucci, encomendado pela ex-esposa Patrizia Gucci, em 1995. Devido ao polêmico crime que estampou várias capas de jornais da época, Patrizia ficou conhecida como a "viúva negra", sendo condenada a vinte e nove anos de prisão. Com o desfecho conhecido, o filme conta o início do relacionamento do casal, as polêmicas da família Gucci, e os desdobramentos que acarretaram na tragédia.

De início somos apresentados a Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma humilde secretária que administra os negócios do pai. Em uma badalada festa, Patrizia conhece Maurizio Gucci (Adam Driver), herdeiro do império Gucci, uma das maiores empresas de moda que existe. Deslumbrada pelo peso do sobrenome de Maurizio, Patrizia faz tudo para seduzir o tímido milionário. Mesmo desprezada por Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), pai de Maurizio e dono da empresa Gucci, Patrizia consegue se casar com Maurizio e desfrutar de uma vida dos sonhos. 

Imagem: Reprodução

Com muita riqueza e luxo, Patrizia Gucci se torna uma famosa socialite italiana. Conforme os anos passam, o casamento dos dois acaba e, transtornada pela separação, Patrizia encomenda a morte de Maurizio. Isso não é spoiler, pois além de conter na sinopse, o caso é de conhecimento/domínio público. 

Com um enredo assim, tudo leva a crer que Casa Gucci é um filme dramático, certo? Não é bem assim, já que o roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna entrega uma divertida comédia que arranca boas risadas do público em grande parte do filme. O longa começa cheio de expectativas, gerando divertimento em sacadas inteligentes. Acompanhar a jornada de Patrizia como uma jovem humilde até se tornar uma poderosa socialite é instigante. Porém, a narrativa se perde em um ponto do longa. As duas horas e trinta minutos que o filme contém deveriam ser mais curtas para absorver melhor a ideia central do enredo. O final foi corrido e não compensou os minutos anteriores em que a trama não estava se desenvolvendo muito bem. Ainda assim, Casa Gucci é um bom passatempo para quem não conhece a história. 

Casa Gucci

25.11.21

11.11.21

Querido Evan Hansen

Querido Evan Hansen || Estreia dia 11 de novembro de 2021 
Crítica por Natasha Soares  

Imagem: Reprodução

Quando se pensa em um musical, o que vem à cabeça são as danças impecavelmente coreografadas sendo embaladas por canções alegres e cenários coloridos. Querido Evan Hansen é um filme/musical que trata de temas como: depressão, ansiedade e suicídio. Retratar assuntos pesados em uma história repleta de canções daria certo? A se julgar pela performance teatral, de onde o filme foi originado, a resposta é: sim, e muito! 

Antes de chegar às telonas, Querido Evan Hansen fez um enorme sucesso na Broadway, quando estreou em 2016, levando para casa nada mais nada menos do que seis prêmios Tony - que é considerado o Oscar do teatro. Além de ter garantido o prêmio de Melhor Musical, a peça ainda rendeu o fruto de Melhor Ator para o protagonista, interpretado por Ben Platt. Devido ao estrondoso sucesso, Ben foi convidado pelo diretor Stephen Chbosky para retornar ao papel de Evan Hansen, agora na tela de cinema. 

Querido Evan Hansen conta a história de um adolescente solitário e desajeitado prestes a terminar o conflituoso ensino médio. Se não bastasse estar em uma das primeiras fases mais importantes da vida, Evan tem depressão e crise de ansiedade. Devido à saúde frágil, o adolescente faz uso constante de medicamentos. Indicado pelo terapeuta, Evan passa a escrever cartas motivacionais para si, afirmando que o dia será incrível e o motivo dele ter sido assim. O texto começa sempre com “Querido Evan Hansen”, e termina com “Atenciosamente, eu”. 

Imagem: Reprodução

Após diversas tentativas de escrever algo positivo, Evan desiste e passa a escrever o motivo do seu dia não ter sido bom e, que ele provavelmente nunca será, já que se sente invisível e que ninguém notaria se ele desaparecesse. O garoto, então, coloca o texto para imprimir, mas Connor Murphy - um aluno problemático e rebelde - acaba pegando a folha e se enfurece ao ver que o nome da sua irmã foi citado na carta. Acontece que Evan nutre uma paixão por Zoe Murphy, sem que a garota tenha ciência disso. 

Connor decide ficar com a carta, deixando Evan desesperado com medo de que o garoto publique o relato nas redes sociais. Porém, após três dias de silêncio, Evan é chamado na direção do colégio e descobre que a mãe e o padrasto de Connor querem conversar com ele. O desespero do adolescente dá lugar a tristeza ao saber que Connor tirou a própria vida. Porém a situação se complica quando o casal conta para Evan que o único item deixado pelo garoto foi uma carta endereçada a ele. Trata-se na verdade do texto que o próprio Evan havia escrito. Pensando que os dois garotos eram amigos, a família de Connor se apoia na ideia de querer saber tudo sobre essa amizade, já que a carta é a única lembrança que “Connor” deixou para eles. 

Sem reação e incapaz de esclarecer a confusão, Evan acaba deixando a família pensar que eram amigos. É a partir daí que a história de Evan Hansen começa a se desenrolar. 

Querido Evan Hansen

11.11.21

29.9.20

‘O Príncipe e a Costureira’, graphic novel de Jen Wang publicada pela DarkSide, vai virar musical pela Universal

Obra vencedora do Eisner Award em 2019 nas categorias de melhor publicação juvenil e melhor roteirista/desenhista, além dos prêmios de melhor álbum juvenil em Angoulême 2018 e de melhor livro juvenil no Harvey 2018, “O Príncipe a Costureira”, HQ de Jen Wang publicada pela DarkSide Books, será transformada em musical. 

Os direitos autorais foram comprados pela Universal Pictures e pelo produtor Marc Platt — que tem em seu currículo no reino musical do cinema “O Retorno de Mary Poppins” e o live-action de “Aladdin”. A trilha sonora será assinada por Kristen Anderson-Lopez e Bobby Lopez, responsáveis pelas composições das animações “Frozen” e “Viva – A Vida é uma Festa”, da Walt Disney Studios. 

Imagem cedida pela DarkSide

Em “O Príncipe e a Costureira”, o príncipe herdeiro da Bélgica, Sebastian, vai se casar em breve. Seus pais estão em busca de uma esposa para ele, que está mais ocupado escondendo seu segredo de todos: à noite, ele coloca vestidos ousados e sai pelas ruas de Paris como a fabulosa Lady Crystallia, o ícone fashion da capital da moda. Tudo isso se deve ao trabalho de Frances, sua melhor amiga e costureira, e uma das duas únicas pessoas que sabem a verdade. Mas Frances sonha com a grandeza e o reconhecimento, e fazer os vestidos de Lady Crystallia significa viver à sombra de um segredo para sempre. 

O quadrinho faz parte do selo DarkSide® Graphic Novel e trata de identidade e aceitação, além de abordar uma amizade que acolhe e respeita sem ressalvas, e que mostra como o amor e respeito ao próximo têm muito mais força do que a intolerância.

‘O Príncipe e a Costureira’, graphic novel de Jen Wang publicada pela DarkSide, vai virar musical pela Universal

29.9.20

16.4.20

As Trapaceiras

As Trapaceiras || Disponível no Telecine
Crítica por Helen Nice


As Trapaceiras (The Hustle) filme do diretor estreante Chris Addison com Anne Hathaway (Josephine Chesterfield) e Rebel Wilson (Penny Rust), mulheres que tem como profissão enganar os ricos e famosos da Riviera Francesa tenta, sem grande sucesso, fazer um remake do clássico filme de 88 "Os Safados", onde o diretor Frank Oz teve o privilégio de dirigir Steve Martin e Michael Caine como os ótimos trambiqueiros. O filme até tenta alçar voo e produzir momentos de riso, mas pelo menos no meu caso, não surtiu efeito. E mais uma vez Anne Hathaway não foi feliz e segue não nos brindando com um personagem marcante.

Josephine já adquiriu um nível social e um alto padrão de vida graças ao know how nos seus golpes. Penny é a trambiqueira que se espelha nos grandes mestres da trapaça para aprimorar sua técnica. Ela está procurando novas vítimas quando encontra Josephine no trem indo para a chic Riviera Francesa. Unem forças e Josephine passa a ensinar Penny a ser menos desajeitada e adquirir um ar mais sofisticado. A premissa das Trapaceiras é "homens são alvo fácil, pois não acreditam que as mulheres sejam mais espertas que eles" e tenta mostrar mulheres poderosas, mas não atinge o objetivo. Rebel Wilson dá um certo ar irreverente ao roteiro, mas os diálogos são fracos. As cenas onde ela se camufla com as roupas até que são engraçadas.

As personagens são rasas e forçadas e não acrescentam conteúdo ao roteiro chegando a um nível de besteirol desnecessário. Com piadas sem tanta graça acaba se perdendo na própria temática. Fica a impressão que as cenas não se interligam e apenas poucos momentos são divertidos. O figurino salva o filme ao lembrar O Diabo veste Prada e os bons tempos de Anne. Uma pena que essa comédia que prometia boas gargalhadas, nadou e morreu nas praias da Riviera.

As Trapaceiras

16.4.20

26.2.20

O Homem Invisível

O Homem Invisível || Estreia em 27 de fevereiro de 2020
Crítica por Bárbara Kruczynski


O clássico ‘O Homem Invisível’ (1933), adaptação do livro homônimo de H.G. Wells (1897), acaba de ganhar uma nova roupagem para as telas e utiliza do material original para questionar os tempos atuais, onde relacionamentos abusivos estão sendo expostos e contestados. Como thriller, o longa funciona muito bem e prende a atenção do espectador, como temática para conversas sobre o assunto, a relevância deste se torna ainda mais necessária.

Estrelado pela sempre brilhante Elizabeth Moss (da série de sucesso The Handmade’s Tale), o filme não tem a exata intenção de esmiuçar a origem do personagem título ou celebrar suas descobertas ‘de poderes’, mas sim o de dar voz a quem ele persegue alucinadamente. Logo, o que assistimos é a jornada de uma mulher tentando fugir de um homem controlador e sociopata ao invés de uma introdução exata para o público entender como este último se transformou nesta versão odiosa de si mesmo. Ainda no elenco: Storm Reid, Michael Dorman, Harriet Dyer e Aldis Hodge. A direção é de Leigh Whannell (Sobrenatural: A Origem).


O inicio do filme revela exatamente o que foi dito acima. Cecília (Moss) acorda e se veste rapidamente tentando não acordar o marido Adrian (Jackson-Cohen) e foge logo em seguida buscando somente o necessário para sair o mais rápido possível do lugar. Previamente calculada, a fuga não é tão bem conduzida já que a mulher esbarra em objetos pela casa e, por último, no carro estacionado na garagem e o alarme deste é acionado. O cachorro do casal também tenta ir com ela, o que a atrasa um pouco. Ao pular os muros da mansão isolada, se embrenha pela mata e sua carona demora a chegar, mas chega. Porém, Adrian já estava no encalce dela e tenta a força tirar ela do carro, não conseguindo fazer isso. Tais cenas são feitas com cuidado e não deixam de mostrar o interior da casa e o quão tecnológica ela é. Carros, motos, laboratórios de pesquisa, trajes de teste e até uma coleira automatizada para o canino da família.

Quando Cecília consegue finalmente escapar da relação aterrorizante que vivia, busca asilo na casa de um amigo próximo que também é conhecido de sua irmã Alice (Dyer), o policial James (Hodge). O homem vive com a filha adolescente Sidney (Reid) e não tem a mínima ideia de que ninguém ali está a salvo, pois Adrian não vai deixar a esposa sair tão fácil assim de sua vida. Cecília se mostra altamente transtornada com o que viveu e mal consegue botar os pés fora de casa, ainda que James insista que ela o faça.

O Homem Invisível

26.2.20

15.1.20

1917

1917 || Estreia em 23 de janeiro de 2020
Crítica: Maurício Ferreira


1917 é um filme que tenta passar os horrores de uma das guerras mais violentas já vividas, a Primeira Guerra Mundial, como o título indica. Com uma procura tão elementar, a narrativa acaba sendo bastante simples: o cabo Blake é chamado para um encontro com superiores e convida o amigo Schofield para acompanhá-lo; lá, recebem a missão de enviar uma ordem direta para uma unidade britânica que estava depois de uma linha de batalha alemã aparentemente abandonada. Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay) precisam entregar o mais rápido possível, afinal, o irmão de Blake é tenente no batalhão que perderá homens caso a missão não seja cumprida.

Mendes busca as sensações físicas e visualmente claras do que passa um soldado em uma guerra. Sua estratégia é mostrar a dificuldade de se viver em uma zona de guerra. Por isso acompanhamos os dois soldados atravessarem as trincheiras estreitas que amontoam sujos, feridos, algum trânsito de corpos. Além disso, o cansaço físico e mental acumulado nas grandes distâncias percorridas ao longo do filme.


O diretor constrói todo o filme para que as sensações digam o que se deve sentir e entender. O uso do plano-sequência por todo o filme é a uma escolha que mostra óbvia numa narrativa que literalmente desenha uma linha num mapa. Como numa missão militar, a informação deve seguir do ponto A para o B sem interrupções. O filme entra em curto nesse momento. Em entrevista ao site IGN¹, Mendes conta que escolheu o plano-sequência para que o espectador visse com seus próprios olhos e tomasse suas próprias conclusões acerca do é mostrado. Essa abordagem condiz com a narrativa linear, militar, citada acima. É como se o filme acreditasse que reproduzir uma zona de guerra e seus perigos fosse o suficiente para mostrar a realidade de um conflito. Mostra-se cruamente, mesmo que artificialmente, uma realidade de horror a fim de um discurso pela paz.

Acontece que a realidade de uma guerra está muito mais fora do campo de batalha do que dentro dele, com todo o contexto político e econômico que produziu a guerra e seus participantes, seus corpos obrigados ao front. 1917 inclusive tenta abordar o tema com o personagem de Benedict Cumberbatch e seu discurso sobre as frivolidades das ordens contraditórias que são transmitidas de cima para baixo. Mas fica por isso mesmo e o que sobra é a vivência de jovens que sabem que nada possuem além de um corpo apto para a guerra. O que sobra é o heroísmo. A figura do herói assume um escopo vazio, a luta pela vida que sobra depois da política. É preciso, então, agarrar-se a essa figura para justificar os acontecimentos da guerra – e também os filmes de guerra.


É uma contradição que surge como problematização do estado belicoso da época – e que ensaia um retorno. Mas não uma contradição que inviabiliza o conflito no campo racional, o conflito enquanto conceito. É uma contradição que se firma na fragilidade da imagem de Sam Mendes. Uma imagem que surge de uma pretensão, mas que não a justifica.

O filme, então, basta-se na criação de empatia com os personagens. É uma abordagem muito comum em filmes de guerra. Fazer sentir a dor do outro para que nos coloquemos ali, evitando que tais problemas se repitam. Peter Jackson, no documentário They Shall Not Grow Old, usa imagens de arquivos do mesmo exército britânico na Primeira Guerra e as restaura com a tecnologia atual. Remasteriza a imagem e o som, põe o cor nas películas envelhecidas. O entendimento do diretor é que vê-los assim traria a dimensão do acontecido, talvez perdida pela má qualidade dos arquivos originais. Desse modo, o filme de Jackson vai um pouco além de 1917 e usa imagens de arquivo, registros, para conferir a veracidade da narrativa construída.

1917

15.1.20

1.12.19

Inspirado no clássico de Jane Austen, "Emma" ganha trailer e pôster

A Universal Pictures lançou o trailer de “Emma” (Emma) - adaptação do clássico moderno de Jane Austen, de 1815 – que agora tem a jovem Anya Taylor-Joy (A Bruxa; Fragmentado; Vidro) como protagonista.


Dirigida por Autumn de Wilde - a mente por trás de videoclipes aclamados das bandas Florence + the Machine e Beck -, a produção conta com o roteiro de Eleanor Catton e apresenta uma sátira sobre classes sociais e as dores do amadurecimento. A personagem Emma Woodhouse é bonita, inteliente e rica, quase uma abelha rainha inquieta sem rivais em sua pacata cidade. Nesta comédia, ela terá que se aventurar através de jogos equivocados e erros românticos para encontrar o amor.

O elenco traz, além de Anya Taylor-Joy, Bill Nighy (Questão de Tempo), Gemma Whelan, Josh O'Connor, Johnny Flynn, Mia Goth, Miranda Hart, Callum Turner, Rupert Graves, Amber Anderson, Tanya Reynolds e Connor Swindells. A produção é de Tim Bevan e Eric Fellner, da Working Title. O filme chega aos cinemas brasileiros em 23 de abril de 2020.

Inspirado no clássico de Jane Austen, "Emma" ganha trailer e pôster

1.12.19

30.10.19

A Família Addams

A Família Addams || Estreia em 31 de outubro de 2019
Crítica: Helen Nice

Mexeu comigo, mexeu com minha família! 

Chega aos cinemas no Halloween (31) a animação inspirada nos clássicos quadrinhos dos anos 1930, do cartunista Charles Addams. Esqueça aquele filme dos anos 1990, que praticamente todos nós já assistimos na tv, e vá dar boas gargalhadas com essa família pra lá de peculiar, mas que no fundo se parece com nossa própria família. É uma animação que vai entreter os pequenos com situações engraçadas, coloridas e musicais - (destaque para Haunted Heart - Christina Aguilera e My Family - Snoop Dogg) e ao mesmo tempo ganhar a atenção dos adultos com referências astutas.

A história começa explicando como, após o casamento de Gomes e Mortícia, a perseguição e o preconceito dos humanos "normais" levou a família a se mudar para a "linda" casa em ruínas. Filhos nascendo, crescendo, vida que segue "horripilantemente" até que nos dias atuais a civilização vai chegando e mudando as caras da vizinhança. O marketing precisa vender os produtos, casas e vidas em um reality show, do jeito que o público deseja, tudo totalmente padronizado. E, convenhamos, essa família foge um pouquinho aos padrões de boa vizinhança. Uma boa reflexão sobre as mudanças e como nos adaptamos a elas ou não.


A Família Addams enfrenta os desafios de qualquer família tendo que criar filhos pré-adolescentes com as mudanças da idade. Feioso precisa passar pelo ritual tradicional da Mazuska com a dança das adagas. Vandinha... bem, Vandinha é uma típica garota adolescente gótica suave cheia de duvidas e questionamentos querendo explorar o mundo além dos portões. Quem tem ou teve filhos nesta idade vai se identificar! rsrsrs Tropeço, Mãozinha, Tio Chico e Vovó Addams completam o clã estranho e divertido. Os traços dos desenhos são mais ao estilo dos quadrinhos, o que deixou o visual bem mais legal. Mortícia e Vandinha são longilíneas e estranhamente femininas. Repare na cena de Mortícia se preparando para o casamento. Já Gomes, Feioso, Tio Chico e Vovó são fofos e rechonchudos, seguindo os traços originais.

O humor da Família Addams segue uma linha mais agressiva com bombas, explosões, armas, espíritos e afins. Não tão inocente, mas já era de se esperar algo do gênero. As vozes originais ficam a cargo de Charlize Theron, Oscar Isaac, Chloe Grace Moretz, Finn Wolfhard, Bette Middler e Margaux Needler. A dublagem brasileira está bem condizente com os personagens, mas particularmente não me agrada o sotaque do Tio Chico. Essa família emblemática, sinistra, maluca e divertida vai tornar seu Halloween mais assustador. Estale seus dedinhos! Não perca!

A Família Addams

30.10.19

23.10.19

Downton Abbey

Downton Abbey || Estreia em 24 de outubro de 2019
Crítica: Karla Nayra


A família Crawley está de volta e dessa vez nas telonas. A história se passa no início do século XX e nos presenteia com uma elaborada continuação da história da vida dos aristocratas e dos trabalhadores que vivem em Downtown Abbey, a propriedade pertencente à família Crawley, no interior da Inglaterra. Confesso que eu não havia assistido a série antes de ver o filme, apenas lido algumas resenhas e resumos. Para quem, assim como eu, não conhece em profundidade cada personagem, a trama parece apresentar as questões paralelas de forma rápida. Mesmo assim, o filme não perde o bom ritmo.

Notadamente, é uma obra baseada nos diálogos que combinam as questões antagônicas da família Crawley com uma boa dose de sarcasmo. Nesse ponto, vale destacar o trabalho incrível desenvolvido por Maggie Smith que interpreta Violet, a matriarca cujos comentários são sagazes e na maior parte das vezes permeados por um humor ácido e certeiro. Apesar de possuir um elenco gigantesco, a equipe de casting juntamente com a roteirista Julian Fellowes e o diretor Michael Engler souberam equilibrar a participação e a escolha dos personagens corretos para esta trama. Além da visita da rainha, o filme aborda questões de gênero sem parecer forçar a barra para ser politicamente correto, ao invés disso introduz o tema de forma natural e fluída em relação ao roteiro como um todo.


Tive a impressão que Downton Abbey, o filme, seria um episódio maior da série. Ledo engano. O filme possui uma narrativa própria e fez com que eu, que nunca havia visto a série, tivesse curiosidade para assistir. Comecei há pouco tempo e somente agora muitas coisas que me recordo do filme fazem mais sentido para mim. Mas isso não significa que quem não assistiu a série vai deixar de captar alguma mensagem importante. Obviamente que assistir ao filme tendo visto a série faz com que o espectador tenha uma visão mais ampla e detalhada acerca da trama.

Para os fãs, será uma grata surpresa rever as imagens exuberantes da representação de uma Inglaterra que sentia os reflexos das mudanças que o mundo passava naquele momento. Além de estar de volta ao Castelo de Highclere, na série conhecido como Downton Abbey.

Downton Abbey

23.10.19

26.8.19

Yesterday

Yesterday || Estreia em 29 de agosto de 2019
Crítica: Karla Nayra

Uma maneira criativa e divertida de homenagear os Beatles 

E se houvesse um mundo sem o talento dos garotos de Liverpool, os Beatles? Este é o gancho promissor que o diretor Danny Boyle usa para contar essa divertida e romântica história. Jack Malik (Himesh Patel) percebe que ele é o único que consegue se lembrar dos Beatles e de suas canções após acordar em uma linha do tempo alternativa onde a banda nunca existiu. A partir disso, Malik começa a fazer sucesso. Danny Boyle conduz os primeiro 30 minutos iniciais com muita qualidade. Ele encontra o ritmo certo e os planos fechados são de uma precisão cirúrgica. O roteiro é de Richard Curtis, que oferece um bom contraste entre os personagens principais.

Malik é cético, desiludido com a vida e quer desistir da carreira de músico. Já Ellie Appleton (Lily James) é entusiasmada, alegre, sonhadora e acredita na carreira do amigo. Ambos os atores estão comprometidos com seus personagens e Lily James nos faz acreditar que ela realmente vê um futuro promissor na carreira de Malik e o protagonista nos transmite seu incômodo constante, porque somente ele conhece as canções dos Beatles. Esse desconforto está presente em sua expressão o tempo todo. Há uma brincadeira interessante que Boyle faz com a câmera, ele usa o plano holandês nas primeiras cenas para indicar essa falta de ordem na vida do protagonista que começa no filme com sua carreira musical em decadência. Conforme a narrativa avança e Malik começa a aprender a lidar com a questão apresentada no filme, a câmera vai adotando um plano mais tradicional da linguagem cinematográfica.


O filme se apresenta como uma exploração dessa distopia que seria um mundo sem os Beatles. Ao longo da trama, o diretor traz algumas surpresas para o público, outras coisas também sumiram! Todavia, a narrativa perde força quando concorre com uma parte romântica do roteiro. Nada contra, mas isso ganha um vulto maior do que a proposta inicial e acaba caindo no desleixo. O roteiro opta por uma solução simples e nada surpreendente, típico de uma comédia romântica. O filme é engraçado, emocionante e divertido. O repertório escolhido é tudo que queremos ouvir em uma história sobre os Beatles. Trata-se de uma maneira criativa de homenagear uma banda sem, necessariamente, ter de trazer as personalidades ao protagonismo da trama.

O personagem principal não é um inglês estereotipado (palmas pela escolha por diversidade!), ele tem traços indianos, assim como seu núcleo familiar. A participação de Ed Sheeran nos traz uma percepção de um astro consolidado que vê que há novos talentos surgindo, além de funcionar como excelente alívio cômico em muitos momentos. Yesterday é um filme para cantar junto. Minha recomendação é: veja em um cinema com boa aparelhagem de som.

Yesterday

26.8.19

11.6.19

A Vida Secreta dos Pets 2

A Vida Secreta dos Pets 2 || Estreia em 27 de junho de 2019
Crítica: Karla Nayra


Esse é um filme para toda a família, mas sem dúvidas os amantes de bichos sentirão um calorzinho maior no coração quando assistirem. O filme é uma divertida e animada aventura sobre alguns animais de estimação na cidade de Nova York. Com o sucesso do primeiro filme da franquia, a continuação desenvolve melhor questões trazidas anteriormente. O momento em que o filme começa ocorre não muito depois do término do primeiro filme. Max (agora dublado por Patton Oswalt, em vez de Louis C.K.) Duke (Eric Stonestreet) e Katie (Ellie Kemper) se deparam com um novo desafio, tem um bebê em casa.

Liam é o filho de Katie e Chuck (Pete Holmes). A princípio, Max fica apreensivo, mas logo ele passa a ser o protetor de Liam. A proteção e os nervos de Max são colocados em teste quando a família se dirige a uma fazenda da família onde Max conhece um cão alfa chamado Rooster (dublado por Harrison Ford). Enquanto isso, Bola de Neve (Kevin Hart), Gidget (Jenny Slate) e Chloe (Lake Bell) entram em algumas brigas quando conhecem um novo cachorro, Daisy (Tiffany Haddish). Todo o elenco original volta para a sequência com alguns novos dubladores. Sendo esta uma sequência, a história perde um pouco do foco em certos grupos de personagens. É muito parecido com um filme dos Vingadores quando várias histórias estão acontecendo ao mesmo tempo. Mas depois vemos tudo junto na tela e tudo faz sentido. Mesmo assim, o filme termina de uma forma divertida e empolgante, porém não há nada de novo.


Muito parecido com o primeiro filme, os personagens de Hart & Slate conseguem os melhores momentos. Acho engraçado que um recurso de animação permita que esses personagens cômicos flexionem seus músculos e brilhem. Oswalt substituindo C.K. funciona bem e se encaixa na história. É quase como se eles construíssem uma outra história ao seu redor, jogando com suas forças de atuação. A animação é feita de uma maneira muito interessante. É parecido com o estilo Illumination que eles escolheram com a série Minions e Despicable Me. Felizmente, cada personagem é único e se destaca em seus próprio momento. Os co-diretores Chris Renaud e Jonathan del Va (que não são creditados no final do filme) sabem como colocar uma piada que as crianças vão ter e seguir com uma piada que vai se dar bem com os adultos no filme.

O filme traz uma mensagem sobre sair da sua zona de conforto e pedir ajuda quando necessário. Há alguns momentos em que você pode ver esses animais com problemas semelhantes aos nossos, especialmente ao ver crianças crescendo. O filme é muito engraçado e divertido. A Vida Secreta dos Pets 2 não reinventa a roda em recursos animados, mas faz o que o primeiro filme fez melhor. É um divertido filme de animação com um grande elenco de personagens que mantêm a história. Eu definitivamente assistiria um terceiro capítulo da saga dos pets. Tudo o que o primeiro filme faz bem, esse segundo recurso melhora. Eu chamaria isso de sucesso no mundo do filme.

A Vida Secreta dos Pets 2

11.6.19

5.6.19

Juntos para Sempre

Juntos para Sempre || Estreia em 6 de junho de 2019


O filme Juntos para Sempre mostra a vida pelo ponto de vista do personagem principal, o cachorro, Baeley. Se você ficou com a sensação de já ter ouvido algo similar, com certeza deve ser pelo fato desse filme ser continuação de Quatro vidas de um Cachorro, que foi lançado em 27 de janeiro de 2017, com direção de Less Haslltrom e teve seu elenco formado pelos atores: Briit robertson (Hannah), K.J.Apa (Ethan), John Ortiz (Carlos), Dennis Quaid (Ethan), Peggy Lipton (Hannah), Julliet Rylance (Elizabeth), Luke Kirb (Jim) e Bryce Gheisar (Ethan).

Definitivamente o lançamento de 2017 deve ser assistido para poder ter um bom entendimento do enredo desenvolvido no filme que será lançado amanhã. Dessa vez, a direção está nas mãos do Gail Mancuso e o elenco foi formado por: Dennis Quaid (Ethan), Ketrhyn Prescott (CJ), Marg Helgenberger(Hannah), Jake Manley (Shane), Betty Gilpin (Gloria), Abby Ryder Fortson (Hannah), Ian Chen (Trent) e Johnny Galecki (Henry).

Não diferente do primeiro filme, o cachorro Baeley passa por diferentes situações com o único propósito que é cumprir com seu dever de amor e proteção a pedido de seu antigo dono Ethan. Ele agora precisa, mais do que nunca, da ajuda de alguém de sua confiança para amar e cuidar de sua neta CJ, que se mudou com a mãe, pois a mesma não se entendia com Hannah e Ethan (os avós de Clarity, conhecida como CJ). Crescendo sem o pai e com a ausência da mãe, que era muito instável, CJ tem que enfrentar uma infância muito difícil e solitária, mas como tudo na vida tem dois lados ela consegue encontrra conforto em seu melhor amigo Trent e sua melhor amiga de 4 patas, Molly, que a compreende mais do que ela possa imaginar. Mesmo depois de perder sua cachorra em um infeliz acidente, CJ encontra coragem e vai pra Nova York sozinha e sem dinheiro, já que sua mãe havia gastado toda sua herança com futilidades.


CJ parece ter se estabelecido e está em um relacionamento, mas não parece estar feliz. O que ela não esperava é que tinha um lindo cachorrinho que estava a sua procura para que pudesse cumprir a promessa feita a seu primeiro dono. Assim que se encontram, o levado cachorrinho logo percebe a tristeza de Clarity, mas não soube como ajudá-la até que sentiu um cheiro muito familiar que ele não acreditou até que viu com seus próprios olhos. Sim! Era ninguém mais ninguém menos que o Trent!!!! O mesmo Trent da infância de CJ. Trent ajuda sua melhor amiga de infância a passar por mais um momento difícil de sua vida e os dois passam a morar juntos. Em meio a toda essa mudança na vida de Clarity, Trent é diagnosticado com uma grave doença, o que serve de aproximação ainda mais entre os dois.

Para pessoas que gostam de animais, de romance e de uma boa história, esse filme é altamente recomendado para assistir sozinho ou com sua família. Lembrando que é a continuação de Quatro vidas de um Cachorro, então não esqueça de assistir o primeiro filme para compreender as referências feitas em Juntos para Sempre.

Curiosidade: Ambos os longas são inspirados em livros do autor W. Bruce Cameron, que ajudou na adaptação para o cinema. Aqui, Dennis Quaid retorna para o papel de Ethan, dono original de Bailey, que o cachorro reencontrou após várias "reencarnações".

Juntos para Sempre

5.6.19

28.4.19

Infiltrado na Klan

Infiltrado na Klan || Disponível nas plataformas digitais
Crítica: Bárbara Ellen


O filme Blackkklansman que aqui foi traduzido para Infiltrado na Klan já chama atenção no título pelo fato de se tratar da Ku Kux Klan, mas esse definitivamente não é o assunto principal do filme. A história diz que em 1978, Ron Stallwortk (Interpretado por John David Washington), um policial negro do Colorado, consegue se infiltrar na Ku Kux Klan local através de telefonemas para outros membros do grupo fingindo ser um homem racista branco que queria fazer parte da “organização” (que é como eles chamam no filme). Quando tinha que comparecer aos encontros pessoalmente para provar que concordava com os ideais do grupo, e participar das reuniões, ele enviava o policial judeu Flip Zimmerman (Interpretado por Adam Driver, de Star Wars).

No começo quase ninguém dava muita credibilidade para a investigação, porque esse tipo de investigação não era muito importante se comparada a outras menores. Até que Ron e Flip conseguem chegar aos níveis mais altos da seita e conseguem conversar com David Duke (Topher Grace) e fazê-lo acreditar que são o homem mais honrado para ser o novo líder do Klan. Ainda temos o privilégio de ver a personagem Patrice (Laura Harrier) participando ativamente e se mostrando superimportante para o movimento dos direitos civis dos negros nos EUA, que aconteceu na década de 70. Dando uma visão diferente para Ron sobre o que estava acontecendo e o fazendo enxergar quem ele era de verdade.


O filme tem tantas partes importantes para serem citadas. Flip pensando pela primeira vez em sua origem judia, Ron se descobrindo mais do que apenas um policial negro, a segregação que acontece até os dias de hoje. Também nos mostra como uma seita racista disfarçada de discurso nacionalista consegue mudar a cabeça das pessoas e fazerem acreditar que tudo bem ter um pensamento como esse e que é até “patriota” de certa forma. Eu particularmente fiquei muito impactada ao assistir, tem muitos ganchos para outros filmes e a fotografia desse filme é incrível. Ter sido baseado em fatos reais só dá mais crédito ainda ao diretor. Acredito que Spike Lee conseguiu fazer um dos trabalhos mais importantes desse tempo para o cinema e de sua carreira.

Alerta Spoiler, se não quiser estragar a sua experiência não leia o trecho a seguir. Por fim, Spike Lee decide mostrar cenas reais de Charlottesville em 2017 onde neo- nazistas tomaram as ruas para protestar contra negros e quaisquer pessoas que consideravam inferiores. Ainda mostra como o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu espaço para que novamente o preconceito e o racismo tomassem conta das ruas e alegou que “nem todas as pessoas que estavam presentes no protesto eram pessoas ruins” ao mesmo tempo em que em outro lugar pessoas eram atropeladas, feridas e David Duke voltava para as ruas. Fim do Spoiler.

O filme tem um humor bem característico ao mesmo tempo que nos faz refletir sobre discursos ainda presentes na nossa atualidade disfarçados de moralismo e patriotismo. No fim, ainda temos muito o que fazer para acabar de vez com esse tipo de postura.

Nota pro filme: 10/10
Recomendação: Já era pra você ter assistido.

Infiltrado na Klan

28.4.19

25.3.19

Duas Rainhas

Duas Rainhas || Estreia em 4 de abril de 2019
Crítica: Karla Nayra


As imagens exuberantes apresentadas em grandes planos gerais vão arrebatar o espectador deste filme. O recurso não é usado apenas no início da trama, mas em momentos de transição que acontecem durante toda a história. As paisagens montanhosas da Escócia nublada, fria ou, às vezes, ensolarada são cenários tão majestosos quanto a altivez da monarquia. Duas rainhas que também são primas empreendem uma disputam pelo trono Inglês. As tensões entre elas estão cercadas de questões de gênero, religião e afetos. No desenrolar da trama, a direção executada por Josie Rourke e o roteiro de Michael Hirst buscam trabalhar esses conceitos.

Todavia, como qualquer filme de entretenimento, não oferece ao público uma materialidade histórica precisa, ou seja, a verdade assim como aconteceu. O que, na minha opinião, não é necessário para entreter. A história funciona bem com os recursos eleitos pelas equipes técnica e de produção. Mostra um especial capricho na direção de arte que, vale ressaltar, teve duas indicações ao Oscar 2019: melhor maquiagem e penteado; e melhor figurino.


No campo dos afetos, percebemos elementos importantes para gerar no espectador empatia pela doce e imponente personagem interpretada por Saoirse Ronan como Rainha Mary Stuart. Feminilidade, compaixão, amor e superação são características próprias dessa personagem. Ela se recusa a deixar de ser dona das suas decisões para entrar na moldura exigida pelos homens de sua época. Mary Stuart é apresentada como alguém cuja mente visionária e tolerante lhe cobra um alto preço. Por outro lado, é possível perceber as frustrações de uma mulher que praticamente teve de escolher agir como um homem para manter seu reino intacto. Esse é o papel de Margot Robbie que interpreta a Rainha Elizabeth I.

A direção utiliza recursos comuns, porém funcionais para mostrar a vaidade e suas implicações. Aqui eu senti falta de uma personagem mais complexa e empática. Duas Rainhas é um exemplo de como as relações de poder se estabeleciam no século XVI. A direção aproveita o momento atual para inserir pitadas de amor fraternal e sororidade (companheirismo ente mulheres). No fim dessa história há um diálogo marcante, tenso e repleto de reflexões que nos servem ainda nos dias de hoje.

Duas Rainhas

25.3.19

últimas resenhas e críticas

Acompanhe no Instagram: @dnisin

© Site Seja Cult. Design by FCD.