Universal Pictures

25.11.21

Casa Gucci

Casa Gucci || Estreia dia 25 de novembro de 2021 
Crítica por Natasha Soares 

Imagem: Reprodução

Casa Gucci (House of Gucci) é baseado na história real do assassinato de Maurizio Gucci, encomendado pela ex-esposa Patrizia Gucci, em 1995. Devido ao polêmico crime que estampou várias capas de jornais da época, Patrizia ficou conhecida como a "viúva negra", sendo condenada a vinte e nove anos de prisão. Com o desfecho conhecido, o filme conta o início do relacionamento do casal, as polêmicas da família Gucci, e os desdobramentos que acarretaram na tragédia.

De início somos apresentados a Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma humilde secretária que administra os negócios do pai. Em uma badalada festa, Patrizia conhece Maurizio Gucci (Adam Driver), herdeiro do império Gucci, uma das maiores empresas de moda que existe. Deslumbrada pelo peso do sobrenome de Maurizio, Patrizia faz tudo para seduzir o tímido milionário. Mesmo desprezada por Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), pai de Maurizio e dono da empresa Gucci, Patrizia consegue se casar com Maurizio e desfrutar de uma vida dos sonhos. 

Imagem: Reprodução

Com muita riqueza e luxo, Patrizia Gucci se torna uma famosa socialite italiana. Conforme os anos passam, o casamento dos dois acaba e, transtornada pela separação, Patrizia encomenda a morte de Maurizio. Isso não é spoiler, pois além de conter na sinopse, o caso é de conhecimento/domínio público. 

Com um enredo assim, tudo leva a crer que Casa Gucci é um filme dramático, certo? Não é bem assim, já que o roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna entrega uma divertida comédia que arranca boas risadas do público em grande parte do filme. O longa começa cheio de expectativas, gerando divertimento em sacadas inteligentes. Acompanhar a jornada de Patrizia como uma jovem humilde até se tornar uma poderosa socialite é instigante. Porém, a narrativa se perde em um ponto do longa. As duas horas e trinta minutos que o filme contém deveriam ser mais curtas para absorver melhor a ideia central do enredo. O final foi corrido e não compensou os minutos anteriores em que a trama não estava se desenvolvendo muito bem. Ainda assim, Casa Gucci é um bom passatempo para quem não conhece a história. 

Casa Gucci

25.11.21

11.11.21

Querido Evan Hansen

Querido Evan Hansen || Estreia dia 11 de novembro de 2021 
Crítica por Natasha Soares  

Imagem: Reprodução

Quando se pensa em um musical, o que vem à cabeça são as danças impecavelmente coreografadas sendo embaladas por canções alegres e cenários coloridos. Querido Evan Hansen é um filme/musical que trata de temas como: depressão, ansiedade e suicídio. Retratar assuntos pesados em uma história repleta de canções daria certo? A se julgar pela performance teatral, de onde o filme foi originado, a resposta é: sim, e muito! 

Antes de chegar às telonas, Querido Evan Hansen fez um enorme sucesso na Broadway, quando estreou em 2016, levando para casa nada mais nada menos do que seis prêmios Tony - que é considerado o Oscar do teatro. Além de ter garantido o prêmio de Melhor Musical, a peça ainda rendeu o fruto de Melhor Ator para o protagonista, interpretado por Ben Platt. Devido ao estrondoso sucesso, Ben foi convidado pelo diretor Stephen Chbosky para retornar ao papel de Evan Hansen, agora na tela de cinema. 

Querido Evan Hansen conta a história de um adolescente solitário e desajeitado prestes a terminar o conflituoso ensino médio. Se não bastasse estar em uma das primeiras fases mais importantes da vida, Evan tem depressão e crise de ansiedade. Devido à saúde frágil, o adolescente faz uso constante de medicamentos. Indicado pelo terapeuta, Evan passa a escrever cartas motivacionais para si, afirmando que o dia será incrível e o motivo dele ter sido assim. O texto começa sempre com “Querido Evan Hansen”, e termina com “Atenciosamente, eu”. 

Imagem: Reprodução

Após diversas tentativas de escrever algo positivo, Evan desiste e passa a escrever o motivo do seu dia não ter sido bom e, que ele provavelmente nunca será, já que se sente invisível e que ninguém notaria se ele desaparecesse. O garoto, então, coloca o texto para imprimir, mas Connor Murphy - um aluno problemático e rebelde - acaba pegando a folha e se enfurece ao ver que o nome da sua irmã foi citado na carta. Acontece que Evan nutre uma paixão por Zoe Murphy, sem que a garota tenha ciência disso. 

Connor decide ficar com a carta, deixando Evan desesperado com medo de que o garoto publique o relato nas redes sociais. Porém, após três dias de silêncio, Evan é chamado na direção do colégio e descobre que a mãe e o padrasto de Connor querem conversar com ele. O desespero do adolescente dá lugar a tristeza ao saber que Connor tirou a própria vida. Porém a situação se complica quando o casal conta para Evan que o único item deixado pelo garoto foi uma carta endereçada a ele. Trata-se na verdade do texto que o próprio Evan havia escrito. Pensando que os dois garotos eram amigos, a família de Connor se apoia na ideia de querer saber tudo sobre essa amizade, já que a carta é a única lembrança que “Connor” deixou para eles. 

Sem reação e incapaz de esclarecer a confusão, Evan acaba deixando a família pensar que eram amigos. É a partir daí que a história de Evan Hansen começa a se desenrolar. 

Querido Evan Hansen

11.11.21

29.9.20

‘O Príncipe e a Costureira’, graphic novel de Jen Wang publicada pela DarkSide, vai virar musical pela Universal

Obra vencedora do Eisner Award em 2019 nas categorias de melhor publicação juvenil e melhor roteirista/desenhista, além dos prêmios de melhor álbum juvenil em Angoulême 2018 e de melhor livro juvenil no Harvey 2018, “O Príncipe a Costureira”, HQ de Jen Wang publicada pela DarkSide Books, será transformada em musical. 

Os direitos autorais foram comprados pela Universal Pictures e pelo produtor Marc Platt — que tem em seu currículo no reino musical do cinema “O Retorno de Mary Poppins” e o live-action de “Aladdin”. A trilha sonora será assinada por Kristen Anderson-Lopez e Bobby Lopez, responsáveis pelas composições das animações “Frozen” e “Viva – A Vida é uma Festa”, da Walt Disney Studios. 

Imagem cedida pela DarkSide

Em “O Príncipe e a Costureira”, o príncipe herdeiro da Bélgica, Sebastian, vai se casar em breve. Seus pais estão em busca de uma esposa para ele, que está mais ocupado escondendo seu segredo de todos: à noite, ele coloca vestidos ousados e sai pelas ruas de Paris como a fabulosa Lady Crystallia, o ícone fashion da capital da moda. Tudo isso se deve ao trabalho de Frances, sua melhor amiga e costureira, e uma das duas únicas pessoas que sabem a verdade. Mas Frances sonha com a grandeza e o reconhecimento, e fazer os vestidos de Lady Crystallia significa viver à sombra de um segredo para sempre. 

O quadrinho faz parte do selo DarkSide® Graphic Novel e trata de identidade e aceitação, além de abordar uma amizade que acolhe e respeita sem ressalvas, e que mostra como o amor e respeito ao próximo têm muito mais força do que a intolerância.

‘O Príncipe e a Costureira’, graphic novel de Jen Wang publicada pela DarkSide, vai virar musical pela Universal

29.9.20

16.4.20

As Trapaceiras

As Trapaceiras || Disponível no Telecine
Crítica por Helen Nice


As Trapaceiras (The Hustle) filme do diretor estreante Chris Addison com Anne Hathaway (Josephine Chesterfield) e Rebel Wilson (Penny Rust), mulheres que tem como profissão enganar os ricos e famosos da Riviera Francesa tenta, sem grande sucesso, fazer um remake do clássico filme de 88 "Os Safados", onde o diretor Frank Oz teve o privilégio de dirigir Steve Martin e Michael Caine como os ótimos trambiqueiros. O filme até tenta alçar voo e produzir momentos de riso, mas pelo menos no meu caso, não surtiu efeito. E mais uma vez Anne Hathaway não foi feliz e segue não nos brindando com um personagem marcante.

Josephine já adquiriu um nível social e um alto padrão de vida graças ao know how nos seus golpes. Penny é a trambiqueira que se espelha nos grandes mestres da trapaça para aprimorar sua técnica. Ela está procurando novas vítimas quando encontra Josephine no trem indo para a chic Riviera Francesa. Unem forças e Josephine passa a ensinar Penny a ser menos desajeitada e adquirir um ar mais sofisticado. A premissa das Trapaceiras é "homens são alvo fácil, pois não acreditam que as mulheres sejam mais espertas que eles" e tenta mostrar mulheres poderosas, mas não atinge o objetivo. Rebel Wilson dá um certo ar irreverente ao roteiro, mas os diálogos são fracos. As cenas onde ela se camufla com as roupas até que são engraçadas.

As personagens são rasas e forçadas e não acrescentam conteúdo ao roteiro chegando a um nível de besteirol desnecessário. Com piadas sem tanta graça acaba se perdendo na própria temática. Fica a impressão que as cenas não se interligam e apenas poucos momentos são divertidos. O figurino salva o filme ao lembrar O Diabo veste Prada e os bons tempos de Anne. Uma pena que essa comédia que prometia boas gargalhadas, nadou e morreu nas praias da Riviera.

As Trapaceiras

16.4.20

26.2.20

O Homem Invisível

O Homem Invisível || Estreia em 27 de fevereiro de 2020
Crítica por Bárbara Kruczynski


O clássico ‘O Homem Invisível’ (1933), adaptação do livro homônimo de H.G. Wells (1897), acaba de ganhar uma nova roupagem para as telas e utiliza do material original para questionar os tempos atuais, onde relacionamentos abusivos estão sendo expostos e contestados. Como thriller, o longa funciona muito bem e prende a atenção do espectador, como temática para conversas sobre o assunto, a relevância deste se torna ainda mais necessária.

Estrelado pela sempre brilhante Elizabeth Moss (da série de sucesso The Handmade’s Tale), o filme não tem a exata intenção de esmiuçar a origem do personagem título ou celebrar suas descobertas ‘de poderes’, mas sim o de dar voz a quem ele persegue alucinadamente. Logo, o que assistimos é a jornada de uma mulher tentando fugir de um homem controlador e sociopata ao invés de uma introdução exata para o público entender como este último se transformou nesta versão odiosa de si mesmo. Ainda no elenco: Storm Reid, Michael Dorman, Harriet Dyer e Aldis Hodge. A direção é de Leigh Whannell (Sobrenatural: A Origem).


O inicio do filme revela exatamente o que foi dito acima. Cecília (Moss) acorda e se veste rapidamente tentando não acordar o marido Adrian (Jackson-Cohen) e foge logo em seguida buscando somente o necessário para sair o mais rápido possível do lugar. Previamente calculada, a fuga não é tão bem conduzida já que a mulher esbarra em objetos pela casa e, por último, no carro estacionado na garagem e o alarme deste é acionado. O cachorro do casal também tenta ir com ela, o que a atrasa um pouco. Ao pular os muros da mansão isolada, se embrenha pela mata e sua carona demora a chegar, mas chega. Porém, Adrian já estava no encalce dela e tenta a força tirar ela do carro, não conseguindo fazer isso. Tais cenas são feitas com cuidado e não deixam de mostrar o interior da casa e o quão tecnológica ela é. Carros, motos, laboratórios de pesquisa, trajes de teste e até uma coleira automatizada para o canino da família.

Quando Cecília consegue finalmente escapar da relação aterrorizante que vivia, busca asilo na casa de um amigo próximo que também é conhecido de sua irmã Alice (Dyer), o policial James (Hodge). O homem vive com a filha adolescente Sidney (Reid) e não tem a mínima ideia de que ninguém ali está a salvo, pois Adrian não vai deixar a esposa sair tão fácil assim de sua vida. Cecília se mostra altamente transtornada com o que viveu e mal consegue botar os pés fora de casa, ainda que James insista que ela o faça.

O Homem Invisível

26.2.20

15.1.20

1917

1917 || Estreia em 23 de janeiro de 2020
Crítica: Maurício Ferreira


1917 é um filme que tenta passar os horrores de uma das guerras mais violentas já vividas, a Primeira Guerra Mundial, como o título indica. Com uma procura tão elementar, a narrativa acaba sendo bastante simples: o cabo Blake é chamado para um encontro com superiores e convida o amigo Schofield para acompanhá-lo; lá, recebem a missão de enviar uma ordem direta para uma unidade britânica que estava depois de uma linha de batalha alemã aparentemente abandonada. Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay) precisam entregar o mais rápido possível, afinal, o irmão de Blake é tenente no batalhão que perderá homens caso a missão não seja cumprida.

Mendes busca as sensações físicas e visualmente claras do que passa um soldado em uma guerra. Sua estratégia é mostrar a dificuldade de se viver em uma zona de guerra. Por isso acompanhamos os dois soldados atravessarem as trincheiras estreitas que amontoam sujos, feridos, algum trânsito de corpos. Além disso, o cansaço físico e mental acumulado nas grandes distâncias percorridas ao longo do filme.


O diretor constrói todo o filme para que as sensações digam o que se deve sentir e entender. O uso do plano-sequência por todo o filme é a uma escolha que mostra óbvia numa narrativa que literalmente desenha uma linha num mapa. Como numa missão militar, a informação deve seguir do ponto A para o B sem interrupções. O filme entra em curto nesse momento. Em entrevista ao site IGN¹, Mendes conta que escolheu o plano-sequência para que o espectador visse com seus próprios olhos e tomasse suas próprias conclusões acerca do é mostrado. Essa abordagem condiz com a narrativa linear, militar, citada acima. É como se o filme acreditasse que reproduzir uma zona de guerra e seus perigos fosse o suficiente para mostrar a realidade de um conflito. Mostra-se cruamente, mesmo que artificialmente, uma realidade de horror a fim de um discurso pela paz.

Acontece que a realidade de uma guerra está muito mais fora do campo de batalha do que dentro dele, com todo o contexto político e econômico que produziu a guerra e seus participantes, seus corpos obrigados ao front. 1917 inclusive tenta abordar o tema com o personagem de Benedict Cumberbatch e seu discurso sobre as frivolidades das ordens contraditórias que são transmitidas de cima para baixo. Mas fica por isso mesmo e o que sobra é a vivência de jovens que sabem que nada possuem além de um corpo apto para a guerra. O que sobra é o heroísmo. A figura do herói assume um escopo vazio, a luta pela vida que sobra depois da política. É preciso, então, agarrar-se a essa figura para justificar os acontecimentos da guerra – e também os filmes de guerra.


É uma contradição que surge como problematização do estado belicoso da época – e que ensaia um retorno. Mas não uma contradição que inviabiliza o conflito no campo racional, o conflito enquanto conceito. É uma contradição que se firma na fragilidade da imagem de Sam Mendes. Uma imagem que surge de uma pretensão, mas que não a justifica.

O filme, então, basta-se na criação de empatia com os personagens. É uma abordagem muito comum em filmes de guerra. Fazer sentir a dor do outro para que nos coloquemos ali, evitando que tais problemas se repitam. Peter Jackson, no documentário They Shall Not Grow Old, usa imagens de arquivos do mesmo exército britânico na Primeira Guerra e as restaura com a tecnologia atual. Remasteriza a imagem e o som, põe o cor nas películas envelhecidas. O entendimento do diretor é que vê-los assim traria a dimensão do acontecido, talvez perdida pela má qualidade dos arquivos originais. Desse modo, o filme de Jackson vai um pouco além de 1917 e usa imagens de arquivo, registros, para conferir a veracidade da narrativa construída.

1917

15.1.20

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