A postagem de hoje vai marcar a nova coluna do site chamada
Seja Cult em outra Língua. Nova assim, aqui no site, porque tenho certeza que vocês já viram esse tipo de coluna em outros sites. Acredito que a maioria saiba, pelo menos os que me acompanham no twitter, que eu inciei uma segunda graduação em março e isso me pegou totalmente de surpresa. O curso é Tradução Francês e eu não tenho nenhuma intimidade com essa língua, e o mais interessante é que eu nunca tinha nem parado para reparar nela e agora estou tendo que absorver tudo o que diz respeito a ela.

Então, como um incentivo de estudo e procurando assuntos novos e interessantes para trazer para vocês, eu decidi criar essa coluna onde vou comentar, a princípio, sobre a língua francesa. Digo a princípio, porque a minha intenção também é me aprofundar no inglês e mais para frente no italiano (me adiantando, porque vai demorar um pouquinho para isso acontecer). Vocês vão perceber que serão mais postagens em francês, já que essa língua é a minha principal habilitação na faculdade e vou ter ela durante o curso todo, quase 5 anos.
Nessa coluna terão comentários sobre filmes, livros, séries, sites, eventos e tudo o que eu achar sobre a língua francesa (a princípio novamente). Mas vocês podem me perguntar sobre as colunas de resenhas, séries e filmes que já tem no site, pois é, elas vão continuar normalmente e na página da coluna de resenha, vocês vão encontrar os links referentes as em português. Quando eu resenhar livros em outras línguas elas vão aparecer na página referente a esta coluna, para não misturar as coisas. No caso das colunas de séries e filmes é diferente, porque a maioria deles são em inglês, então só os em francês ou italiano é que aparecerão aqui e vou colocar os links lá também. Entendidos??? Qualquer dúvida deixem ai nos comentários.

Para estrear a coluna eu vou comentar sobre um filme muito curioso que achei procurando no google. Antes disso fica aqui a minha dificuldade em encontrar filmes com o áudio em francês e as legendas em português. Achei poucos que me interessassem e se alguém souber onde eu posso encontra mais me avisa. O filme em questão é uma adaptação do livro
L'Homme Qui Rit do escritor francês Victor Hugo, que muitos devem conhecer dos livros Os Miseráveis e O corcunda de Notre-Dame.
Esse livro já foi adaptado duas vezes, sendo a de 1928 a mais bem vista, mas eu não achei para ver. A adaptação que eu vi é de 2013 e foi dirigida por Jean-Pierre Améris, conhecido por comédias românticas e que se perdeu um pouco na hora de adaptar algo com mais profundidade. O filme vai narrar a vida do protagonista Gwynplaine, que possui cicatrizes no rosto que lhe dão a aparencia de sempre estar sorrindo. Qualquer semelhança como o Corinda de O cavaleiro das Trevas é mera coincidência, ou não.
Essa aparência é uma ironia explicita, já que ele não se acha merecedor de ser apreciado e esconde metade do rosto a maior parte do tempo. Mas eis que uma personagem não liga para isso e o acha o homem mais perfeito do mundo, Déa. Uma mulher cega com quem Gwynplaine foi criado, pela figura paterna Ursus, e encena peças ao ar livre contando a estória de amor deles em formato de fábulas, algo como um Romeu e Julieta misturado com A Bela e a Fera. Tudo ficaria por isso mesmo se as peças não fizessem sucesso e as pessoas passem de ter medo a curiosidade em relação as cicatrizes do Gwynplaine. Ele fica fascinado com o sucesso e acaba deixando de lado a pessoa que mais o apoiou, Déa. E esse conflito entre a vida que ele tinha, pobre, mas como amor, e a riqueza e o luxo que ele pode ter agora, será a questão que permeará o filme.

Quando eu me deparei com esse filme eu achei a ideia dele ótima e já imaginava que esse conflito entre sempre aparentar estar sorrindo, mas na realidade estar triste seria muito bem marcado, como de fato foi. A aparência dele tanto causa curiosidade como medo e afastamento, e o Gwynplaine não consegue lidar com isso muito bem, então ele a esconde. A partir do momento que as pessoas começam a ver as cicatrizes como um adereço de representação elas o aplaudem e idolatram, mas por trás do show elas ainda tem medo. Ele não consegue separar esses sentimentos e quer que as pessoas o aceitem dentro e fora da peça, como a Déa. A relação dele com ela é muito bonita, mas é maculada pela presença de uma duquesa, que se encanta por ele e o apresenta a esse mundo e luxuria e riqueza.
Sendo um livro do Victor Hugo, não dá para esperar que não sejam comentadas as questões sociais. Quando o Gwynplaine está no meio da riqueza ele tenta fazer com que os nobres reparem no povo e mais, questiona o fato deles não os ajudarem. A figura da Déa e da duquesa representaram a duvida entre o virginal e a luxuria, o amor e a tentação. A duquesa claramente tenta o caráter do Gwynplaine que acaba sendo fraco e cedendo. O autor também mostra que quando você erra, merece ser punido e o Gwynplaine é da pior forma possível. O Ursus é a representação do pai, o guia, e aquele que dá conselhos importantes, mas que nem sempre é ouvido.

Agora dando detalhes sobre a aparência do filme. O diretor tentou fazer algo mais sombrio e gótico e conseguiu até uma parte do filme, a metade mais ou menos, depois os personagens e o visual ficou muito exagerado e caricaturado. Não sei qual era a intenção do diretor, se causar uma estranheza maior nas partes finais, mas o fato é que eu não gostei muito e quase nem terminei de ver. O filme também apela na dramaticidade no fim e perde a estranheza que eu tinha gostado no inicio. Virando mais um dramalhão. Me lembrou uma versão ruim dos filmes do Tim Burton. Ele não tem uma trilha sonora marcante, mas as roupas e os cenários são muito bem feitos e com detalhes que saltam da tela.
Em resumo, foi um bom filme, mas que se perdeu no meio do exagero de retratar a excentricidade de um homem que sempre está sorrindo. A única parte interessante foram os atores, em especial o Marc-André Grondin que interpreta o Gwynplaine e soube transmitir a dualidade e a confusão de quem quer ser aceito, mas não consegue se aceitar em primeiro lugar. Sobre a língua francesa, eu não conseguiria ver sem legendas e para um inciante é assim mesmo. Consegui entender algumas palavras básicas que aprendi em 3 semanas de curso e para o meu aprendizado foi bom, porque o filme oscila entre conversas para iniciantes e vai para as mais difíceis, então essas evoluções são o que acrescentam no vocabulário.
Bom, é isso. Esse foi o primeiro post da coluna nova e caso vocês tenham alguma sugestão de filmes, séries, sites, livros ou qualquer outra coisa relevante e em francês, lembrem-se, me avisem que posso ver a possibilidade de resenhar por aqui. Como eu estou no francês inicial, livro vai ser mais complicado, mas estou pensando em alguns infantis, então pode ser que vocês vejam algo assim no começo. Espero que tenham gostado e até a próxima!!!
*Um recado importante. A coluna não dia marcado para sair e nem um tempo certo entre uma postagem ou outra. Vai ser postado quando eu aprender ou encontrar algo relevante para dividir com vocês.
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