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2.6.21

Alice e Peter: Onde Nascem os Sonhos

Alice e Peter: Onde Nascem os Sonhos || Estreia dia 3 de junho de 2021 
Crítica por Helen Nice

Imagem cedida pela Sinny Assessoria

O filme começa como um conto de fadas tradicional, com uma mãe contando uma história de dormir para seus filhos. Logo descobrimos que a mãe é Alice adulta e que teremos a seguir uma narração baseada em relatos de sua infância. Voltamos no tempo... Antes de Alice encontrar o País das Maravilhas e Peter fugir para a Terra do Nunca, eles eram irmãos. E havia um terceiro irmão, David, o filho mais velho e orgulho da família. 

A mãe Rose, o pai Jack e os três filhos viviam nos arredores de Londres, em um local cercado de muito verde e um rio, onde a imaginação das crianças podia correr solta. Navios piratas, espadas, meninos perdidos, chás da tarde com um coelho de pelúcia. Tudo era possível. Mas uma tragédia se abate sobre a família, desestruturando- a completamente. A mãe antes serena e atenciosa, se torna apática e distante. O pai, um artesão de talento, se perde no vício do jogo e contrai dívidas. 

Imagem cedida pela Sinny Assessoria

A história também aborda um aspecto social bem importante. Rose é de uma classe social elevada e se afastou da irmã Eleanor ao se casar com Jack, de classe mais simples e negro. A irmã insiste em cuidar das crianças para lhes dar uma educação requintada, o que causa discórdia na família. Jack, por sua vez, também tem questões familiares ocultas e mal resolvidas com o pai e um irmão com atitudes suspeitas. Apesar do roteiro prometer contar o que aconteceu anteriormente com Alice e Peter, este não é um conto de fadas. É mais uma análise psicológica dos traumas causados nas crianças. O roteiro é pesado, arrastado e deprimente. Longe de um filme indicado para crianças. Não espere encontrar fantasia. É um tema adulto e reflexivo. Uma reimaginação livre e bem distante dos clássicos originais. Há apenas referências como tentativa de ligação entre as histórias. 

O elenco de peso, fotografia e figurinos encantadores são os principais atributos desta produção. Os efeitos também são bons. Porém o roteiro é confuso, tanto quanto as cabeças destas crianças expostas à problemáticas adultas demais para a idade. Morte, depressão, álcool, problemas financeiros, representatividade, classe social, questões familiares, violência. Só mesmo fugindo para um mundo de fantasias para sobreviver à tanta pressão. Assista... mas vá preparado!

Alice e Peter: Onde Nascem os Sonhos

2.6.21

20.2.20

Maria e João: O Conto das Bruxas

Maria e João: O Conto das Bruxas || Estreia em 20 de fevereiro de 2020
Crítica: Lucas Pereira


Contos de fadas são uma das bases do cinema. Existem produções baseadas nestas histórias desde a primeira metade do século 20, tanto animada (Branca de Neve) quanto ao vivo (Mágico de Oz), e mesmo em 2020 nós ainda temos muitos filmes baseados nestas clássicas histórias. Maria e João, de Oz Perkins, é mais um para a lista, tomando a famosa história e lhe dando uma vida nova. Ao invés de ser uma história simples sobre duas crianças que chegam em uma casa de doce, Maria e João têm um foco diferente, querendo criar uma história focada na personagem de Maria e tentar dar uma mensagem diferente.

O início do filme é o mesmo do conto: Duas crianças são expulsas de casa por falta de comida e acabam tendo que cuidar de si mesmas. Os detalhes de cada adaptação mudam sempre, e desta vez eles entram na floresta à procura de um outro povo que pode cuidar deles. No caminho, com fome, elas são atraídas por uma casa no meio do caminho habitada por uma bruxa que começa a alimentá-los. Um detalhe importante, que diferencia esta produção, é o fato de Maria ter tido, desde a sua infância, a habilidade de ver espíritos. Ao mesmo tempo que isso faz as pessoas terem medo dela, ela sente que está destinada a algo grande. Destino que acaba fazendo parte do desenrolar da história, graças à relação dela com a bruxa.

Maria e João tenta muito trazer novos temas e ideias para o conto, como elementos lidando com feminismo e problemas mentais. Porém, o problema vem de uma falta de coesão entre toda a história. Todas essas ideias acabam ficando grudadas em uma história que tenta tanto ser inteligente, que no fim só é estranha e em certos momentos maçante. Mesmo com a ótima atuação de Sophia Lillis (It) e Alice Krige (Star Trek), Maria e João acaba sendo uma tentativa de dar uma vida nova ao conto que dá errado. Ele têm elementos de um filme muito melhor, mas que no final acaba não funcionando.

Maria e João: O Conto das Bruxas

20.2.20

14.11.19

Um dia de Chuva em Nova York

Um dia de Chuva em Nova York || Estreia em 21 de novembro de 2019
Crítica: Karla Nayra


Certa vez Woody Allen disse, “meus filmes normalmente são mais apreciados na Europa do que nos Estados Unidos”. Tenho a impressão de que talvez não haja um lugar muito especial para mais autores em Hollywood. Sim, Allen é um exímio autor e Um dia de Chuva em Nova Yorque é mais uma prova disso. É possível reconhecê-lo em cada pedacinho da obra e por mais que o filme traga muitas questões internas acerca dele mesmo, a obra ainda consegue alcançar o espectador que aprecia sua cinematografia e toca sua alma de forma inédita.

Dirigido e escrito por Woody Allen, o longa acompanha o final de semana de um jovem casal em Nova Iorque. A grande protagonista do filme é a cidade que Allen já declarou amar mais de uma vez, Nova Iorque. O tempero especial é a chuva que serve como elemento narrativo para exprimir vários momentos: tensão; confusão; beleza; poesia; afeto. Para o autor, Nova Iorque sob a chuva é híbrida, sensorial. A metalinguagem é um recurso muito presente nos filmes de Allen e neste aqui não é diferente. Há um momento em que o diretor se mostra na figura de um novato numa rodagem despretensiosa pelas ruas de Manhattan, noutro momento nos é apresentado um diretor aclamado por seu trabalho, mas que sofre vários distúrbios e inseguranças com relação à sua obra. Esse é apenas um dos vários momentos em que Allen está falando de si próprio. Ele rememora os tempos de outrora quando realizava filmes de baixo orçamento sem maiores pretensões ou pressões e traz a insegurança de um diretor maduro.


Allen é meticuloso na construção dos personagens e não deixa nenhum passar sem algum detalhe marcante. Adoro a capacidade que o diretor possui de problematizar sobre banalidades da vida, dando a elas um peso maior do que elas realmente têm. É assim que, em muitos momentos, Allen nos convida a fazer reflexões sobre coisas que talvez jamais faríamos. No filme, ele faz isso com uma risada. Achei demais! Sem falar em uma revelação arrebatadora que nos deixa de boca aberta trazendo uma resolução, e também uma recompensa, surpreendentemente e engraçada. Não sei. Talvez somente eu tenha achado tanta graça. Sou fã!

Acho que já deu para notar que quando o assunto é uma obra de Woody Allen me pego numa vontade quase que irresistível de falar somente do autor. Mas não poderia cometer o pecado de não apontar as qualidades de toda a mison scene e a atuação do elenco. Afinal, cinema é uma arte coletiva, portanto se uma área falhar pode acabar colocando em cheque toda a obra. Em síntese, Um Dia de Chuva em Nova Iorque é um filme autoral com doses de obra autocentrada, mas nem de longe deixa contribuir enquanto obra de arte. Em vez disso, propõe reflexões densas sobre as banalidades da vida e sugere mais leveza sobre aqueles temas que poderiam se tornar grandes pesadelos.

Um dia de Chuva em Nova York

14.11.19

19.9.19

Rambo: Até o fim!

Rambo: Até o fim! || Estreia em 19 de setembro de 2019
Crítica: Helen Nice

Rambo defende os seus... a qualquer custo!

Chega aos cinemas hoje o último (será???) filme da franquia, Rambo: Até o fim! Para os fãs de Sylvester Stalonne que estavam saudosos de "tiro, porrada e bomba", preparem-se!! Ele volta mais idoso, porém tão violento quanto sempre. Já aposentado e fazendo trabalho voluntário junto a um grupo de resgate, lá está John Rambo vivendo no rancho em que nasceu na fronteira entre os EUA e o México. Opa! Já imaginam contra quem é a treta da vez, né? Para alguém que passou a vida lutando com inimigos vorazes, não é tão simples assim se aposentar. Os traumas psicológicos ficam marcados nas entranhas e sempre volta aquela cobrança por desempenho e a obrigação de salvar alguém ou defender seu País.

Mas Rambo até tenta viver pacificamente cuidando do rancho, treinando cavalos e se dedicando a uma sobrinha do coração, Gabrielle (Yvette Monreal), filha de uma amiga querida, e a sua fiel ajudante do lar Maria (Adriana Barraza). Até que a garota resolve fugir para o México em busca de seu pai ausente e é sequestrada por uma gangue local, chefiada por Hugo Martinez (Sergio Peris-Mencheta) e seu irmão Victor Martinez (Óscar Jaenada), que além de drogas também vende escravas sexuais. Rambo é obrigado a atravessar a fronteira para resgatá-la e enfrentar o cartel mexicano. Nem tudo acontece como planejado e ele terá que armar uma emboscada violenta para fazer justiça com as próprias mãos. E nenhum criminoso sairá impune!


O público alvo já sabe exatamente o que esperar. Rambo segue aquela velha fórmula "estou aqui tranquilo, tenho problemas psicológicos, então não mexam comigo!" E os bandidos vão lá e "cutucam a onça com vara curta". Não tem muito o que dizer quanto a isso. Funciona!!! E quem curte vai ao cinema e vai se divertir. Porque nosso lado mais sombrio vem à tona e a gente se pega torcendo para ele matar todo mundo! É sempre assim... e neste também! Tudo muito absurdo, Rambo faz tudo sozinho e tem armamentos para destruir um estado. As cenas de ação e violência são cruéis e bizarras como é de se prever. E é isso que esperamos de Rambo. Alguns momentos tristes, ternos, chorosos e dá-lhe porrada!!!

Stalonne ainda dá um caldo em matéria de ação e mais uma vez o diretor Adrian Grunberg usa o carisma do ator para nos levar aos cinemas. O próprio Stalonne assina o roteiro junto com Matt Cirulnick. As músicas de Bryan Tyler dão o clima de ação. O filme é preconceituoso, xenofóbico, ufanista...sim!! E nos dias de hoje isso incomoda muito. Mas é Rambo... gostemos ou não! Rambo defende os seus... a qualquer custo.

Rambo: Até o fim!

19.9.19

4.9.19

Corgi: Top Dog

Corgi: Top Dog || Estreia em 5 de setembro de 2019
Crítica: Helen Nice

Animação fofa para o público infantil com referências que só adultos entenderão. 

Corgi é bonitinho, mas não chega a empolgar. Aquela diversão garantida para a família com filhos pequenos, sem grandes expectativas e com muita pipoca. A animação de origem Belga, produzida pela nWave Pictures e dirigida por Vincent Kesteloot e Ben Stassen, chega aos cinemas finalmente nesta quinta (5).

Todos sabemos que a Rainha da Inglaterra Elizabeth II tem paixão por cães e até tem uma raça "real" favorita - Corgi Dog. Essa é a história de Rex, um filhote fofo, presente do marido Phillip, o Duque de Edimburgo. Rex ganha o coração da Rainha e se torna a preferência real em todos os sentidos. Claro que os outros cães mais velhos e experientes não ficam satisfeitos com a chegada do filhote. Todas as atenções reais são para Rex. O Palácio de Buckingham agora é a casa de Rex e todos os serviçais reais estão ali para atender seus desejos. Rex como todo filhote apronta todas e mais algumas...tipo comer os chinelos do Príncipe. E no dia que o Presidente dos EUA e esposa vão ao jantar real, Rex também apronta das suas e até ganha os olhares apaixonados da cadelinha americana.

A animação faz uma nítida sátira ao encontro da Rainha com Trump. Rex é traído por um dos cães que quer o cargo de Top Dog e se perde fora do Palácio. Agora ele precisa se virar para sobreviver nas ruas frias de Londres e encarar os tipos do abrigo de cães para onde ele é levado. Há aqui uma referência ao Clube da Luta com os cachorros fortões e mal encarados que mandam no abrigo. Mas lá também faz novos amigos e encontra o amor. Uma bela mensagem de amizade e lealdade. O traço do desenho é simples e apenas Rex é mais fofinho. O colorido é atraente e apesar do roteiro de Rob Sprackling e John R. Smith ser simples e previsível, Corgi diverte e faz seu papel para o público alvo. Talvez eu esperasse mais, mas ainda assim achei bem "ok".

Corgi: Top Dog

4.9.19

5.5.19

Hellboy 2019

Hellboy 2019 || Estreia em 16 de maio de 2019
Crítica: Karla Nayra


Baseado nos quadrinhos de Mike Mignola, Hellboy é um ser que está preso entre os mundos sobrenatural e humano. Dessa vez, terá de lutar contra uma antiga feiticeira que deseja se vingar do mundo trazendo o apocalipse. Este é o terceiro filme da franquia e o primeiro sem a direção de Guillermo Del Toro. O diretor anunciou sua saída após gravar o segundo longa. O bastão está agora com Neil Marshall que entrega um trabalho satisfatório para o espectador médio, mas não para a crítica especializada.

A continuação de Hellboy I e II é também uma descontinuação. Calma, já vou explicar. É possível notar aspectos que diferenciam o trabalho dos diretores de antes e depois. Não é nada fácil para um diretor que pega o bonde andando manter totalmente a linha do que vinha sendo desenvolvida no filme, mas no terceiro Hellboy os aspectos que pontuam essas diferenças são marcadas na estética do filme e no desenvolvimento óbvio da grande máxima da franquia que é “o inferno salvará a terra”. Isso poderia render reflexões interessantes, mas cai num clichê após o outro.


Nos primeiros filmes era possível notar uma estética que se aproximava da fantasia. Agora, em Hellboy III, estamos mais próximo de um filme de terror. Isso se deve, principalmente, por causa da mudança na direção. Neil Marshall está acostumado a fazer filmes de suspense e terror, basta dar uma olhada em sua filmografia. Hellboy é um filme do gênero super-herói, correto? Não. Pelo menos esse último filme pecou no que há de mais essencial: o gênero. O espectador de Hellboy espera mais aventura e ação e menos demônios se contorcendo como em “O Exorcista”, por exemplo.

O roteiro do filme comete um dos “pecados” mais comuns na construção de uma vilã ou vilão. A bruxa Nimue, interpretada por Mila Jovovich, deseja se vingar por ter sofrido uma derrota no passado. Suas motivações são frágeis e acabamos encontrando mais uma vez uma antagonista que deseja destruir o mundo por causa de sua maldade. Além disso, o filme possui problemas de ritmo, não dando pausas necessárias e elaborando pouco temas que poderiam ter sido melhor trabalhados. Mas é cheio de “easter egs” e quem curtiu os primeiros filmes vai encontrar uma forma de se entreter com o último longa da trilogia Hellboy. Se vale o ingresso? Bom, eu esperaria sair na TV, mas se você é fã, vá logo ver no cinema e seja feliz!

Hellboy 2019

5.5.19

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