Jogo do Poder || Estreia dia 12 de agosto de 2021
Crítica por Helen Nice
Imagem cedida pela Sinny Assessoria
Baseado no livro de não ficção de Yanis Varoufakis, que relata sua trajetória como Ministro das Finanças e as batalhas de sua história política.
Jogo do Poder é dirigido pelo fenomenal Costa Gravas.
Já temos uma perspectiva do que nos aguarda - um filme denúncia, que levará à reflexões e debates.
Panorama político: Ano 2015. A Grécia encontra-se mergulhada em uma terrível crise econômica e humanitária, beirando a falência.
O Partido de esquerda SYRISA vence as eleições e Alexis Tsipras (Alexandros Bourdoumis) é o novo Primeiro Ministro. O economista Yanis Varoufakis (Christos Loulis) é seu Ministro das Finanças. Mesmo não sendo do mesmo partido, eles se unem para encarar as negociações e as estressantes reuniões à portas fechadas dos grandes do Eurogrupo, na tentativa de libertar o País da terrível crise e da dívida monumental.
A figura do Ministro das Finanças divide opiniões. Alguns o veem como revolucionário e um estrategista inteligente. Outros, entretanto, o consideram um louco, fanático arrogante, sem conteúdo.
Mas o filme é totalmente imparcial e segue mostrando à risca os fatos sem críticas ou julgamentos.
A proposta de Yanis é reestruturar a dívida e criar uma política orçamentária realista, combatendo o forte programa de austeridade imposta pelos credores. Ele sonha em implantar uma reforma para combater a corrupção e os privilégios das oligarquias, restabelecer salários, reduzir o desemprego, taxar os bens das igrejas e estatizar os bancos. Entretanto, o Ministro se vê num impasse entre assinar o MoU (Memorandum of Understanding), um catálogo de crueldades com promessas impossíveis de serem mantidas e com isso perpetuar a crise, ou recusar e ficar fora do Euro.
Imagem cedida pela Sinny Assessoria
Gavras nos apresenta uma narrativa coesa, criando um clima de tensão política extremamente envolvente. As cenas transitam através de salas de reuniões e negociações com os credores em Bruxelas (Bélgica), em Riga (Letônia) e os embates do Ministro, principalmente com o representante da Alemanha Wolfgang Schäuble (Ulrich Tukur), que impões um forte bloqueio à Grécia.
Em 2h07m, mesclando ficção com uma fotografia perfeita e cenas reais da época, vamos acompanhar a breve trajetória de Yanis pelo Ministério (jan - julho) defendendo a igualdade entre os membros da União Europeia e as várias tentativas de acordo com a Troika Europeia (Consórcio da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).
A dança final, como em uma tragédia do teatro grego, ilustra como o Ministro foi encurralado em uma rede de poder, que em momento algum levou em conta o sofrimento do povo grego. Sem opção, só lhe restou aceitar o jogo e, enquanto todos riem nas fotos, seu semblante é sério, como a crise que seguirá.
Os fatos contam que o MoU foi assinado, o Ministro das Finanças renunciou e o Parlamento Grego aprovou o acordo com maioria dos votos.
O povo foi derrubado! A crise continua... O povo sobrevive heroicamente!
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